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Novo filme de Jia Zhangke estreia no Brasil acompanhado de documentário de Walter Salles

Redação Culturize-se

Os fãs de cinema contemporâneo e da cinematografia asiática têm um compromisso importante nos cinemas brasileiros a partir de 19 de junho. Na data, estreia “Levados pelas Marés”, o mais novo trabalho do premiado diretor chinês Jia Zhangke. Conhecido por construir narrativas poéticas e políticas sobre a transformação da China moderna, o cineasta retorna com um filme que mistura ficção e material de arquivo para refletir sobre o impacto do tempo e das mudanças sociais em seu país.

Protagonizado por Zhao Tao, parceira recorrente na obra de Zhangke e sua companheira na vida real, o longa acompanha duas décadas da jornada emocional de Qiaoqiao, uma mulher em busca de um amor perdido. Durante essa busca, o que se revela é muito mais do que um romance frustrado: é um panorama íntimo das mudanças culturais e urbanas da China do início dos anos 2000 até os dias atuais. Para isso, o cineasta utiliza imagens de filmes anteriores, como se revisse suas próprias memórias em paralelo à trajetória do país.

Exibido na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, em 2023, “Levados pelas Marés” conquistou o prêmio da crítica de melhor filme internacional e também foi incluído na lista de melhores filmes do ano do jornal The New York Times. No Brasil, a distribuição é feita pela Filmes da Mostra.

Para os que desejam se aprofundar na obra e no pensamento de Jia Zhangke, o lançamento do novo filme será acompanhado pela reexibição de “Jia Zhangke, Um Homem de Fenyang” (2014), documentário dirigido por Walter Salles. Na obra, Salles acompanha o cineasta chinês em uma jornada de volta aos locais onde gravou parte de seus filmes mais importantes. É um retrato afetivo de um artista cuja carreira se confunde com a história recente da China.

Filmado em cidades como Fenyang, Pingyao e Pequim, o documentário intercala belas imagens das locações com conversas conduzidas por Salles e pelo crítico francês Jean-Michel Frodon. As reflexões de Jia Zhangke revelam não apenas seu processo criativo, mas também o compromisso do cineasta em retratar a vida dos trabalhadores e das classes populares chinesas em meio a um cenário de profundas mudanças econômicas e culturais.

Cena de “Levados pelas Marés” | Foto: Divulgação

Jia Zhangke, nascido em 1970, é considerado um dos cineastas mais influentes de sua geração. Seus filmes anteriores incluem obras premiadas como “Artesão Pickpocket” (1997), “Plataforma” (2000), “O Mundo” (2004), “Em Busca da Vida” (2006), vencedor do Leão de Ouro em Veneza, “24 City” (2008), “Um Toque de Pecado” (2013), premiado em Cannes, e “Amor Até as Cinzas” (2018). No Brasil, sua relação com a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é longa: já participou de retrospectivas e assinou o pôster da 44ª edição, em 2020.

Do lado brasileiro dessa homenagem ao cinema, Walter Salles é um nome igualmente importante. Com uma carreira marcada por sucessos como “Central do Brasil” (1998), “Diários de Motocicleta” (2004) e o oscarizado “Ainda Estou Aqui” (2024), o diretor carioca é reconhecido por seu olhar atento às histórias humanas e pelas incursões sensíveis no documentário.

O lançamento simultâneo dessas duas obras cria uma rara oportunidade para o público brasileiro revisitar a obra de Jia Zhangke e aprofundar o entendimento sobre seu papel singular no cinema mundial contemporâneo. Duas jornadas — uma ficcional e outra documental — que se complementam na reflexão sobre memória, modernização e o poder do cinema em capturar o espírito de uma época.

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