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Legado de Roberto Bolaños volta aos holofotes com nova série da Max

Redação Culturize-se

Poucos personagens da televisão latino-americana conquistaram o coração do público brasileiro como Chaves e Chapolin. Décadas após suas exibições originais, os seriados criados por Roberto Gómez Bolaños seguem cativando gerações, seja em reprises na TV aberta, no streaming ou em memes e referências que circulam pela internet. Esse fenômeno cultural parece viver um novo apogeu com o lançamento da série “Chesperito: Sem Querer Querendo”, na MAX, e pelo anúncio de que os programas originais de Bolaños voltarão a ser disponibilizados pelo Prime Video.

“Chespirito”, protagonizada pelo ator mexicano Pablo Cruz Guerrero no papel de Bolaños, aborda desde sua juventude até a consagração internacional com El Chavo del Ocho (“Chaves”, no Brasil) e El Chapulín Colorado (“Chapolin”).

A escolha de homenagear Bolaños em uma série dramatizada não é por acaso. Nascido na Cidade do México em 1929, Roberto Gómez Bolaños começou sua carreira como publicitário e roteirista antes de se tornar ator e criador de seus próprios programas. Foi na década de 1970 que ele alcançou o estrelato, primeiro no México e rapidamente em outros países da América Latina. A simplicidade dos cenários e a comicidade inocente, com personagens humildes enfrentando situações cotidianas, conquistaram o público justamente por tratar de temas universais, muitas vezes com um olhar sensível sobre pobreza, amizade e solidariedade.

No Brasil, “Chaves” estreou em 1984 pelo SBT e rapidamente se transformou em um dos maiores sucessos da emissora. Mesmo com produção encerrada em 1980, as reprises mantiveram o programa no ar por mais de 30 anos ininterruptos. Já “Chapolin”, o herói atrapalhado e de coração puro, também encontrou seu lugar nas tardes brasileiras, com bordões eternizados no imaginário popular, como “Não contavam com minha astúcia!” e “Sigam-me os bons!”.

A longevidade do sucesso brasileiro chama atenção, especialmente pelo contraste com a recepção do programa em outros mercados. Enquanto “Chaves” tornou-se um fenômeno ocasional em alguns países hispânicos, no Brasil virou parte integrante da cultura pop, atravessando gerações e consolidando o SBT como a “casa oficial” das aventuras da Vila. O apelo emocional, o humor físico e a identificação com personagens como o próprio Chaves, Seu Madruga e Dona Florinda explicam em parte essa permanência.

Retorno no streaming

O Prime Video vai disponibilizar em seu catálogo todos os episódios de ambas as séries. O licenciamento garante os mais de 500 episódios das duas produções. Os programas estavam ausentes da TV e streamings brasileiros desde 2020, em virtude da disputa judicial entre a família de Bolaños e o Grupo Televisa, detentor dos direitos de exibição.

Já a produção da Max atende àqueles que têm curiosidade pela persona que criou essa iconografias tão poderosas. A série revela aspectos pouco conhecidos da vida de Bolaños, incluindo as tensões de bastidores, como a saída conturbada de Carlos Villagrán (o intérprete do Quico) e os desentendimentos posteriores com outros colegas de elenco. Também estão na trama o relacionamento pessoal e profissional de Bolaños com Florinda Meza, intérprete de Dona Florinda e sua companheira na vida real.

Seja para antigos fãs ou para novas gerações, a série tem o desafio e a responsabilidade de recontar a jornada de um artista que, sem querer, querendo, moldou o humor de milhões de brasileiros.

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