Reinaldo Glioche
A GLAAD divulgou seu relatório anual sobre representatividade LGBTQ+ no cinema em 2024, e as principais distribuidoras de Hollywood receberam notas predominantemente “ruins” ou “insuficientes”, com uma queda na inclusão de personagens LGBTQ+.
Em sua 13ª edição do Studio Responsibility Index (SRI), a organização constatou que o número de filmes inclusivos diminuiu pelo segundo ano consecutivo. Das 250 produções analisadas em 2024, apenas 59 (23,6%) continham ao menos um personagem LGBTQ+ — queda em relação a 2023 (70 de 256 filmes, ou 27,3%) e ao pico de 2022 (100 de 350, ou 28,5%).
“Em um momento em que a comunidade lésbica, gay, bissexual, transgênero e queer (LGBTQ+) enfrenta retóricas prejudiciais e falsas na mídia e é usada como tema divisivo por políticos, essas histórias são essenciais”, argumentou a GLAAD no estudo.
O relatório avaliou filmes lançados em 2024 por A24, Amazon, Apple TV+, Lionsgate, Universal, Netflix, Paramount, Sony, Disney e Warner Bros. Discovery — incluindo subsidiárias e serviços de streaming controlados por essas empresas.
Desempenho por estúdio:
- A24 foi a melhor avaliada (“bom”), com 56% de seus 16 filmes considerados inclusivos, como “Love Lies Bleeding”, “Problemista” e “Queer”.
- Amazon e Universal receberam nota “regular”.
- Warner Bros. Discovery, Apple TV+, Sony e Paramount foram classificadas como “insuficientes”.
- Netflix, Lionsgate e Disney ficaram com notas “ruins”.
Destaques além da A24 incluíram “Garotas em Fuga” (Universal), “Meninas Malvadas” (Paramount) e “Meu Eu do Futuro” (Amazon). No geral, os filmes tiveram menos personagens LGBTQ+ em 2024, a maioria gays ou lésbicas. Apenas duas produções incluíram personagens trans: “Monkey Man” (Universal, no Brasil distribuído pela Diamond), com Vipin Sharma como líder de uma comunidade hijra, e “Emilia Pérez” (Netflix, no Brasil distribuído pela Netflix), estrelado pela indicada ao Oscar Karla Sofía-Gascón.
A GLAAD destacou que os estúdios estão perdendo a chance de engajar um público LGBTQ+ crescente no mercado interno e internacional. “É essencial diversificar os lançamentos com histórias variadas e orçamentos escalonados para garantir estabilidade e crescimento”, concluiu o relatório.