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Vídeos gerados por IA chegam ao mainstream com Veo 3 e dividem opiniões

Redação Culturize-se

Desde seu lançamento em maio, o Veo 3, ferramenta de geração de vídeos com inteligência artificial (IA) desenvolvida pelo Google, tem se consolidado como um marco na criação audiovisual. Com capacidade de gerar vídeos realistas de até dois minutos a partir de comandos de texto ou imagens de referência, a tecnologia se destaca por entregar conteúdo com resolução 4K, sons integrados e movimentos de câmera customizáveis. Mas, à medida que seus vídeos viralizam na internet, surgem também alertas sobre o potencial de manipulação e desinformação que esse tipo de conteúdo pode trazer.

O modelo é acessado por meio da plataforma Flow (labs.google) ou do assistente Gemini, e atualmente está disponível apenas para usuários dos planos pagos Google AI Pro e AI Pro Ultra. Dentro do Flow, os criadores podem controlar desde o ângulo da câmera até a junção de cenas para formar um filme completo, incluindo a adição de vozes para os personagens. O resultado são vídeos altamente imersivos, realistas ou estilizados, que desafiam a linha entre o que é real e o que é gerado por IA.

A tecnologia chamou atenção pelas suas possibilidades artísticas, mas também gerou controvérsia ao permitir a criação de simulações de entrevistas, transmissões televisivas e até passagens históricas e religiosas — muitas vezes sem uma sinalização clara de que o conteúdo é artificial. Nas redes sociais, usuários comparam os vídeos a episódios da série distópica “Black Mirror”, enquanto outros demonstram preocupação com o uso dessas ferramentas em contextos políticos, como eleições.

Foto: Divulgação/Google

Embora parte do público afirme conseguir identificar vídeos gerados por IA — apontando olhares “vazios” e falas robotizadas — a sofisticação do Veo 3 aumenta o desafio de distinguir o real do sintético. “As IAs falam muito robotizadas, parece que estão lendo e não falando, dá para perceber isso”, comentou um internauta. No entanto, os avanços rápidos da tecnologia sinalizam que essas falhas podem em breve desaparecer, tornando a identificação ainda mais difícil.

Um dos casos que exemplificam o potencial e as controvérsias da ferramenta ocorreu em Ulianópolis, no Pará. A prefeitura da cidade lançou um comercial da festa junina local totalmente produzido com IA. O produtor Renato Lopes Ferreira utilizou o ChatGPT para roteirizar o vídeo e o Veo 3 para gerar as imagens, complementadas por softwares tradicionais de edição como Adobe Premiere e After Effects. O trabalho, finalizado em um único dia, gerou cenas com personagens fictícios adaptados ao perfil da população local, cada um com falas e aparências distintas. Apesar da alta qualidade e do realismo, a prefeitura não mencionou o uso de IA na publicação original, o que gerou comentários e especulações por parte dos seguidores.

Ferreira afirmou que não usaria essa abordagem em campanhas comerciais, mas destacou que o custo e o tempo de produção com atores reais seriam muito superiores. O experimento mostra o potencial do Veo 3 em democratizar o acesso a produções audiovisuais complexas, reduzindo drasticamente o tempo e o orçamento necessários.

O avanço do Veo 3 representa uma mudança radical no mercado de criação de vídeos. Para criadores independentes, agências públicas e até artistas digitais, ele abre portas para inovações antes inacessíveis. Sua versatilidade permite desde animações até filmes de aparência cinematográfica, com liberdade criativa quase ilimitada. A possibilidade de juntar diferentes cenas e roteiros e controlar todos os aspectos visuais coloca poder nas mãos de quem, até pouco tempo atrás, dependia de grandes equipes e orçamentos robustos.

Ainda assim, o impacto ético e social da tecnologia é inegável. O Google, por enquanto, opta por liberar o acesso apenas a usuários selecionados e pagantes — uma forma de mitigar riscos e colher feedbacks antes de uma liberação mais ampla. Mas especialistas já alertam para a necessidade de mecanismos de verificação e rotulagem de conteúdos gerados por IA, especialmente em plataformas abertas como redes sociais e veículos de comunicação.

A revolução audiovisual trazida pelo Veo 3 é inegável, mas também impõe um novo debate sobre transparência, regulação e alfabetização midiática. À medida que vídeos sintéticos se tornarem cada vez mais indistinguíveis da realidade, a sociedade precisará acompanhar o ritmo dessa inovação para evitar que a criatividade seja confundida com manipulação.

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