Redação Culurize-se
Miley Cyrus nunca foi uma artista que se encaixou em rótulos. De suas raízes pop na era Disney à fase psicodélica de “Dead Petz”, o rock de “Plastic Hearts” e o vencedor do Grammy “Endless Summer Vacation”, ela sempre se reinventou. Agora, com seu nono álbum de estúdio, “Something Beautiful”, ela entrega seu projeto mais ambicioso até hoje — um álbum visual de 13 faixas que mistura glam rock, disco, baladas soul e art-pop em uma meditação coesa sobre amor, perda e autodescoberta.
“Something Beautiful” não é apenas uma coleção de músicas; é uma declaração artística completa, acompanhada por um curta-metragem lançado no Tribeca Film Festival. Inspirado por “The Wall” do Pink Floyd, Cyrus criou um álbum conceitual que funciona como uma odisseia sonora e emocional.
Em um evento privado de audição no Chateau Marmont, em Los Angeles, ela descreveu o álbum como uma “metamorfose” — um reflexo de sua própria evolução pessoal. “Ver [o álbum] se tornar essa borboleta, passar por essa metamorfose e evolução, é tão reflexivo da minha vida e de tudo que estou vivendo”, disse.
O cerne lírico do álbum gira em torno das consequências de um término, mas está longe de ser um disco simples sobre coração partido. Em vez disso, Cyrus explora a dinâmica do amor, a luta pela autoaceitação e a beleza encontrada no caos.
– “More to Lose” é a única balada tradicional do álbum, uma reflexão devastadora sobre o fim de um relacionamento. “Eu sabia que um dia você faria o que eu não consegui”, ela canta, com a voz crua de resignação.
– “Easy Lover” inverte o jogo, transformando tristeza em desafio sensual. Sobre uma batida de jazz, Cyrus canta: “Amarre-me a cavalos e mesmo assim eu não te deixaria”, borrando a linha entre devoção e autodestruição.
– “Walk of Fame” (com Brittany Howard) é um manifesto disco reluzente sobre seguir em frente. “Toda vez que eu ando, é uma caminhada da fama”, ela declara, incorporando o tema de autorreinvenção do álbum.
Experimentação sonora
Cyrus sempre foi uma camaleoa de gêneros, e “Something Beautiful” não é exceção. O álbum oscila entre introspecção psicodélica e hinos pop eufóricos, muitas vezes na mesma faixa.

– “Pretend You’re God” é um apelo angustiante por respostas, evocando suas colaborações passadas com The Flaming Lips.
– “Every Girl You’ve Ever Loved” é uma fusão disco-rock cravejada de brilho, com interjeições faladas de Naomi Campbell adicionando um toque de alta-costura.
– “Golden Burning Sun” alterna entre eletrônico e acústico, mostrando a habilidade de Cyrus em fundir estilos opostos.
O final do álbum parece um suspiro emocional. “Reborn” é uma meditação hipnótica sobre morte do ego e renovação, levando à faixa de encerramento, “Give Me Love”, onde a voz de Cyrus se transforma em um coral celestial. “Quando você supera o cinza”, ela canta, sugerindo que o amor — romântico, platônico ou por si mesmo — é a forma definitiva de beleza.
Aos 31 anos, Cyrus está em seu auge artístico. Ela não é mais a adolescente rebelde ou a provocadora em busca de controvérsias; é uma musicista experiente com uma visão clara. “Something Beautiful” é seu trabalho mais maduro até agora — um álbum que não evita a dor, mas se recusa a afundar nela. Em vez disso, encontra graça na bagunça da vida.
Como ela disse aos fãs: “O que é considerado belo deve ser pessoal. É sobre pegar essas experiências e embrulhá-las em laços e fitas bonitas.”
Com “Something Beautiful”, Miley Cyrus faz exatamente isso — e nos convida a ver a beleza em nosso próprio caos.