Redação Culturize-se
A ArPa Feira de Arte chega à sua quarta edição consolidada como uma das principais plataformas de valorização da arte contemporânea na América Latina. Realizada entre os dias 28 de maio e 1º de junho, a feira ocupará os espaços do Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, reforçando o protagonismo da cidade no circuito internacional das artes visuais. Com a participação de cerca de 100 artistas representados por 60 galerias de 14 países, a edição deste ano será a maior já realizada e promete aprofundar o intercâmbio entre diferentes contextos culturais, estéticos e institucionais.
Desde sua estreia em 2022, a ArPa tem se destacado por sua curadoria exigente e compromisso com a diversidade de vozes no campo da arte. Galerias da Argentina, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Israel, Itália, Líbano, México, Portugal, República Tcheca e Uruguai se somam a nomes brasileiros de peso como Luisa Strina, Martins & Montero e Yehudi Hollander-Pappi. A presença internacional é ampliada pelo Programa Prisma, que promove o diálogo entre o mercado e grandes instituições públicas e privadas, como o LACMA, a National Gallery, a Tate Modern, a Colección FEMSA e a Fundação Ama.
Presença feminina ampliada
Um dos destaques desta edição é a forte presença feminina. Quase metade das galerias são lideradas por mulheres, incluindo nomes históricos como Raquel Arnaud, Luisa Strina e Nara Roesler, bem como novas lideranças que vêm transformando o panorama artístico contemporâneo. “A feira dá destaque ao protagonismo feminino ao garantir visibilidade a artistas mulheres — historicamente sub-representadas no mercado — e ao celebrar a trajetória de galeristas pioneiras, além de impulsionar uma nova geração de lideranças no setor”, afirma Camilla Barella, diretora-geral da ArPa.
O formato expositivo da feira também passou por mudanças estratégicas. Em vez de uma apresentação genérica de acervos, os estandes agora são organizados como pequenas mostras individuais, com um número reduzido de artistas. “A proposta é que o público tenha uma imersão mais significativa nas obras apresentadas, valorizando projetos inéditos e cuidadosamente pensados para a feira”, explica Camilla. “Cada espaço se transforma em uma mini-exposição, o que tem atraído galerias interessadas em desenvolver conexões mais profundas com o público.”

A ArPa está dividida em três áreas. O Setor Principal reúne projetos individuais e coletivos das principais galerias participantes. O Setor UNI, com curadoria da colombiana Ana Sokoloff, se dedica a mostras solo focadas em práticas contemporâneas que abordam temas como pertencimento, poder e marginalização. Já o Setor Base, apresentado pela MOS Incorporadora, destaca duplas de artistas em projetos expositivos que dialogam com formação, mediação e comunidade, promovendo também conversas públicas ao longo do evento.
Entre as estreias desta edição, chama atenção a participação inédita da Galeria Frente, que apresenta uma exposição dedicada à tapeçaria brasileira, reunindo obras de Genaro de Carvalho e Norberto Nicola. Genaro, conhecido por suas representações coloridas da fauna, flora e festas populares brasileiras, levou a tapeçaria à condição de arte visual moderna já nos anos 1950. Já Nicola, com uma carreira de mais de cinco décadas, explorou os limites entre tapeçaria, escultura e instalação, utilizando materiais como lã, vime e sisal para criar composições orgânicas e tridimensionais. A presença desses dois mestres reafirma o potencial da ArPa como plataforma de diálogo entre tradição e experimentação.
O crescimento da feira acompanha o fortalecimento do mercado brasileiro de arte. Segundo o Art Basel and UBS Art Market Report 2024, o Brasil é um dos mercados mais promissores da América do Sul, com um crescimento de 21% em 2023. Com uma estrutura cada vez mais robusta e interlocução internacional ampliada, a ArPa reafirma seu papel estratégico no fomento à arte latino-americana e à profissionalização do setor.