Reinaldo Glioche
As primeiras notícias surgiram em 1º de abril e pareciam efetivamente mais uma das inúmeras pegadinhas que proliferam-se nas redes sociais na data. Não era o caso. Um dos projetos mais intrigantes a surgir em Hollywood nos últimos meses é a inesperada expansão do universo de “Era uma Vez em… Hollywood” — agora pelas mãos de David Fincher e com Brad Pitt retornando ao papel de Cliff Booth. Baseado em “The Movie Critic”, roteiro que Quentin Tarantino começou a desenvolver, mas abandonou antes de finalizar, o novo filme surge como um híbrido entre derivado e continuação espiritual do aclamado longa de 2019. O projeto, provisoriamente chamado de “The Continuing Adventures of Cliff Booth”, será produzido pela Netflix e pode iniciar suas filmagens no fim do verão norte-americano deste ano.
A gênese desse derivado remonta ao próprio Tarantino, que concebeu “The Movie Critic” como uma obra ambientada no universo que criou em “Era uma Vez em… Hollywood”. Segundo informações do The Playlist e do The Hollywood Reporter, a trama gira em torno de Cliff Booth, o carismático dublê e confidente de Rick Dalton, personagem de Leonardo DiCaprio. De acordo com a novelização do filme, Booth desenvolve, nos anos 1970, uma paixão por cinema e passa a escrever críticas de filmes baratos — detalhe que serve de base para a nova narrativa.
A participação de Brad Pitt foi central para o projeto ganhar vida. O ator, que já demonstrou afinidade com o roteiro mutável e fragmentado de Tarantino, procurou o cineasta para perguntar se ele aceitaria que outro diretor assumisse a direção. Tarantino respondeu que dependeria do nome envolvido. Pitt então sugeriu Fincher — um cineasta com quem compartilha uma longa e bem-sucedida parceria, que inclui “Se7en” (1995), “Clube da Luta” (1999) e “O Curioso Caso de Benjamin Button” (2008). Tarantino deu sua bênção, e o projeto rapidamente foi adquirido pela Netflix, com quem Fincher mantém um contrato de exclusividade.
Ator e cineasta quase se reuniram no final da década passada para uma sequência de “Guerra Mundial Z”, projeto que acabou não decolando. A vontade de trabalharem juntos novamente, permaneceu e agora ganha tração.
Apesar de girar em torno de Cliff Booth, o filme não é oficialmente considerado uma sequência ou um prequel de “Era uma Vez em… Hollywood”. Isso se deve a um aspecto singular do contrato de Tarantino com a Sony, estúdio que financiou o filme original: o cineasta detém os direitos dos personagens, enquanto a Sony mantém os direitos sobre o longa em si. Essa estrutura contratual permite a expansão do universo sem as amarras legais de uma continuação formal.
Ainda não há confirmação oficial sobre o retorno de Leonardo DiCaprio como Rick Dalton. O ator está atualmente em negociações para estrelar uma cinebiografia de Evel Knievel para a Paramount, o que pode inviabilizar sua participação. Mesmo assim, a simples perspectiva de revisitar o universo de Dalton e Booth já agita fãs e críticos, especialmente sob a direção de Fincher, conhecido por sua precisão estética e profundidade psicológica.
Com elementos de nostalgia, metalinguagem e a reunião de talentos consagrados, esse projeto inusitado promete ser um dos mais badalados e comentados da década.
