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Rendido à publicidade, mercado de streaming tateia outras alternativas

Reinaldo Glioche

Movimentações interessantes no mercado de streaming brasileiro se deram nas últimas semanas. Desde 2 de abril, o Amazon Prime Video exibe anúncios para seus assinantes que podem optar por não vê-los por uma taxa adicional de R$ 10 por mês. Essa ação se dá em concomitância ao início da transmissão do Campeonato Brasileiro pela plataforma, que dispõe de um jogo exclusivo por rodada, o que lhe afere mais condições de receita com publicidade.

Em paralelo, a Globo anunciou que sua plataforma de streaming, que já exibe anúncios de uma forma menos intrusiva (quando o programa é pausado pelo espectador), não dará prejuízo após 10 anos. O mercado de streaming, saturado como está, e como estava quando do surgimento do Globoplay, demanda das empresas um planejamento de longo prazo e liquidez suficiente para suportar anos no vermelho.

Foto: Reprodução/Internet

É o que acontece com a Apple, que como já exposto por essa coluna, diminuiu sensivelmente sua produção; a empresa perde cerca de US$ 1 bilhão por ano com sua plataforma, que foi lançada em 2019. Além de frear seus lançamentos no cinema, preferindo disponibilizá-los diretamente no streaming, adotando o modelo da Netflix, a empresa, que estabeleceu um planejamento para obter lucro com o AppleTV+ apenas após 20 anos do lançamento, finalmente se rendeu à dinâmica do mercado com o lançamento de seu aplicativo para dispositivos Android e a adesão ao Prime Video Channels, o que lhe oferece uma vitrine valiosa e chance de alcançar mais consumidores, já que o Prime Video é a segunda plataforma com mais assinantes no planeta.

Voltando ao Prime Video, o streaming agora investe, também, no lançamento de canais de parceiros estratégicos com exclusividade. Foi assim com o MGM+, canal pertencente à MGM, estúdio comprado pela Amazon em 2023 e mais recentemente com o Filmillier+, em que filmes de distribuidoras menores como Snypase e A2, que antes lançavam seus filmes no Prime Video, agora têm uma oportunidade de rentabilizar mais com um canal próprio.

A Diamond, maior distribuidora independente da América Latina,  vai pelo mesmo caminho com o lançamento iminente do Diamond+. A empresa tem por hábito comprar filmes egressos de festivais, longas de autores do circuito de arte e produções com potencial de Oscar. Entre suas aquisições recentes figuram “Conclave”, “Babygirl”, “Maria Callas” e “Sing Sing”, todos filmes que figuraram na última temporada de premiações.

Vale lembrar que mesmo estúdios que não dispõe de plataformas de streaming no Brasil lançaram canais na plataforma da Amazon para rentabilizar com seu catálogo, casos da Sony (Sony One) e da Universal (Universal+).

Essas movimentações reforçam a percepção de que o mercado tateia alternativas sem muita convicção das soluções aventadas. Essa dinâmica de tentativa e erro permite que a Netflix aperfeiçoe sua liderança sem muito assédio.

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