Redação Culturize-se
Três anos após estrear na carreira solo com o aclamado “De Primeira” (2021) e consolidar-se com o pop ousado de “Vício Inerente” (2023), Marina Sena apresenta “Coisas Naturais”, seu álbum mais autobiográfico até agora. Lançado na segunda-feira (31), o disco de 12 faixas é um manifesto de reconexão com as raízes mineiras e uma ousada mistura de ritmos brasileiros com influências latinas e europeias.
Para compor o álbum, Marina alugou um sítio em São Roque (SP) e reuniu a equipe de produção — incluindo membros d’A Outra Banda da Lua, grupo com quem começou na música em Montes Claros (MG). “Foi um resgate do prazer de criar sem pressão”, contou à Marie Claire. O isolamento rendeu um processo incomum: algumas faixas foram gravadas “frase por frase”, com a cantora explorando “um milhão de possibilidades vocais”.
O título “Coisas Naturais” reflete tanto o ambiente bucólico quanto a busca por autenticidade. “Sou bairrista do norte de Minas. Quis trazer essa regionalidade para meu universo pop”, explicou em entrevista.

Do piseiro à Europa: um mapa musical
O álbum é uma viagem por gêneros:
- “TOKITÔ” (com a italiana Gaia e a portuguesa Nenny) mistura batidas eletrônicas a melodias africanas;
- “Doçura” (em parceria com a banda espanhola Çantamarta) une reggaeton a referências do manguebeat;
- Faixas como “Piseiro Mineiro” e “Arrocha Funk” revisitam os ritmos nordestinos que marcaram sua infância.
“Marina expandiu seu alcance vocal, usando falsetes e técnicas que nunca havia experimentado”, observou o crítico musical Carlos Eduardo Lima.
Em entrevistas, a cantora revelou que a psicanálise influenciou o processo criativo: “A terapia me ajudou a elaborar letras mais profundas”. Temas como autonomia feminina aparecem em faixas como “Mulher Solta”, enquanto o romance com o influenciador Juliano Floss inspirou versos mais líricos.
Marina já planeja shows, começando por São Paulo em julho, e não esconde a ambição: “Quero um Grammy”. Enquanto isso, “Coisas Naturais” chega às plataformas com uma missão clara: provar que a música brasileira pode ser, ao mesmo tempo, raiz e vanguarda.