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"Quando Chega o Outono" reflete sobre a persistência do passado

Redação Culurize-se

François Ozon, um dos nomes mais destacados do cinema francês contemporâneo, retorna às telas com “Quando Chega o Outono”, filme que estreia no Brasil nesta quinta (27). A obra, que mistura drama familiar e suspense psicológico, coloca a terceira idade no centro da narrativa, fugindo dos estereótipos frequentemente associados ao envelhecimento. A protagonista Michelle, vivida por Hélène Vincent, é uma idosa que vive uma aposentadoria tranquila em uma vila na Borgonha, ao lado da amiga Marie-Claude (Josiane Balasko). A rotina pacata é abalada quando sua filha Valérie (Ludivine Sagnier) deixa o neto Lucas sob seus cuidados, desencadeando uma série de eventos que revelam segredos do passado e tensionam as relações familiares.

Ozon, conhecido por explorar dilemas morais e tensões sexuais em seus filmes, opta por uma abordagem mais sutil em “Quando Chega o Outono”. “Muitas vezes, nossos desejos ocultos se realizam sem que tenhamos controle sobre eles”, reflete o diretor, que escolheu sugerir mais do que mostrar, permitindo que o público interprete os acontecimentos por si só. O suspense silencioso que permeia a trama serve como pano de fundo para uma reflexão sobre a complexidade da velhice, longe das idealizações comuns no cinema e na sociedade. “A sociedade tende a idealizar os idosos, esquecendo que eles também têm um passado complexo, uma sexualidade, um inconsciente”, afirma Ozon em material à imprensa.

Foto: Divulgação

A escolha por atrizes mais velhas, como Hélène Vincent e Josiane Balasko, foi uma das motivações centrais do projeto. Ozon destaca a importância de mostrar a beleza das rugas e das marcas do tempo, algo que ele considera cada vez mais raro nas telas. Michelle, a protagonista, não é uma figura idealizada: ela é contraditória, carrega frustrações e desejos não ditos, e sua relação com a filha Valérie é marcada por tensões mal resolvidas. A presença de Ludivine Sagnier, que trabalha com Ozon pela quarta vez, adiciona novas camadas ao drama. “Foi emocionante reencontrá-la e filmá-la nesse papel”, comenta o diretor, ressaltando a maturidade artística que a atriz trouxe para o filme.

“Quando Chega o Outono” foi premiado no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián em 2024, levando o Prêmio do Júri de Melhor Roteiro e a Concha de Prata de Melhor Ator Coadjuvante para Pierre Lottin.

Além do suspense, o filme aborda temas como a emergência climática, o desenvolvimento predatório e a resiliência dos povos ribeirinhos, refletindo a complexidade da experiência humana na contemporaneidade. Com um elenco que reúne gerações do cinema francês, “Quando Chega o Outono” é uma obra que desafia as convenções e convida o público a refletir sobre as ambiguidades da vida, a persistência do passado e as escolhas que moldam nosso presente. Como define Ozon, o filme é um retrato da velhice como continuidade, uma fase em que as sombras e a vitalidade coexistem, e os segredos nunca estão completamente enterrados.

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