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Sufocante e reflexivo, “A Sala dos Professores” discute a sociedade a partir da dinâmica escolar

Reinaldo Glioche

Indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2024, e com estreia agendada para os cinemas brasileiros em 29 de fevereiro, “A Sala dos Professores” está longe de figurar entre as produções mais badaladas da temporada e, mesmo em sua categoria, é meio que um patinho feio, mas essas circunstâncias não mimetizam de forma alguma qualidade e pujança do longa de İlker Çatak.

A Sala dos Professores
Foto: Divulgação

A excepcional Leonie Benesch vive a idealista professora substituta Carla Nowak, uma polonesa, nascida na Alemanha, devotada a seu ofício e a suas convicções. Esses colidem em face da crescente tensão desencadeada por uma desastrada acusação de furto que ela dirige a uma funcionária, que é mãe de um de seus alunos.

O idealismo de Carla vai sendo esfacelado por uma estrutura escolar rígida, ainda que pretensamente humanizada, alunos agressivos e petulantes, colegas de trabalho impacientes e intolerantes e uma dinâmica social claustrofóbica.

O roteiro assinado por Çatak em parceria com Johannes Duncker observa a ruína de nossos mecanismos sociais, por mais bem intencionados que muitos deles sejam, a partir daquele microcosmo escolar de uma escola pública em um país de primeiro mundo como a Alemanha. É curioso observar, sob esse prisma, uma cena em que um colegiado formado por professores, dois alunos representantes de classe, e uma psicóloga tenta decidir democraticamente se um aluno que mostrou comportamento agressivo deve ou não ser suspenso.

Çatak e Duncker não têm a arrogância de ofertar respostas para problemas e chagas sociais complexos, pulverizados e com camadas que reconhecem seu filme não pode dar conta, mas oxigenam um debate que frequentemente cai no lugar comum com uma abordagem original e insidiosa. O ritmo aqui é de thriller, mas a resolução mantém a audiência – e a protagonista – em suspensão.

Além do olhar para a sociedade – repare no comentário sagaz sobre como o jornalismo está em franca deterioração -, “A Sala dos Professores” discute com engenhosidade e esmero a sinuca de bico da questão educacional em um mundo em que violência, preconceito, pobreza e ruídos familiares são estímulos inescapáveis.

“A Sala dos Professores” é cinema que investiga, que potencializa a dúvida e que divide as responsabilidades com sua audiência. Há quem não goste. Há quem aprecie. Os dois tipos de públicos devem ver o filme que faz um elogio do inconformismo e, neste compasso, sentirem-se contemplados por ele.

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