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Diretor de “Relatos Selvagens” estreia em Hollywood em thriller com ecos de David Fincher

“Sede Assassina” aposta na dinâmica investigativa de uma força-tarefa atrás de um assassino de movimentos imprevisíveis. Filme devolve papel de destaque a Shailene Woodley

Por Reinaldo Glioche

Depois de encantar público e crítica com “Relato Selvagens”, seguramente um dos melhores filmes de 2014, Damián Szifron submergiu. Ele agora reaparece com um thriller de ritmo lento, atmosfera sublime e que aposta nas capacidades persuasivas de dois grandes atores, no caso Shailene Woodley e Ben Mendelsohn. “Sede Assassina”, além de ser extemporâneo, já que dispensa todo e qualquer predicado para esses tempos de TikTok, toma a decisão por um desfecho mais anticlimático do que seria recomendável.

Filmes como “Seven” e “Zodíaco” são referências agudas em “Sede Assassina”, até mesmo visualmente. O longa parece concebido entre a segunda metade dos anos 90 e a primeira década do século XXI. Um trabalho notável de luz e enquadramentos de Javier Julia, que trabalhou com o cineasta em “Relatos Selvagens” e acabou de fotografar o elogiado drama de época “Argentina 1985”.

Foto: Divulgação

O fato de também assinar a montagem do longa talvez tenha comprometido um pouco da visão geral de Szifron, que ainda produz e assina o roteiro. Seu filme hesita entre focar na mecânica da investigação, nas pressões e derrotas doloridas, ou em como aquelas circunstâncias ressignificam a policial vivida por Weoodley, com passado problemático de abusos e dependências químicas.

“Você é medido por cliques”

A frase acima é extraída de um diálogo da protagonista com o assassino já na parte final – e levemente problemática – do filme. É uma forma de criticar o próprio interesse do público pelo objeto da trama e, inadvertidamente, esta própria resenha. É um recurso inteligente para desarmar o sensacionalismo com que lidamos com tudo nessa embriagante sociedade do espetáculo, mas o diálogo parece extradiegético, o que acaba ressaltando a tal da hesitação acima citada.

No todo e nas partes, “Sede Assassina” ainda é um filme capaz de agradar o público, ainda que um público bastante circunspecto. O que de mais positivo o longa apresenta, certamente é devolver a Shailene Woodley um material dramático que ela possa manejar com a habilidade que lhe é peculiar – algo que não víamos no cinema desde “Pássaro Branco na Nevasca” (2014).

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