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Relançamentos vão bem nas bilheterias em 2024 e viram estratégia de receita para estúdios

Reinaldo Glioche

Foto: Divulgação

Um fenômeno curioso aconteceu em 2024. Relançamentos (filmes legado) foram super bem nos cinemas; com “Interestelar”, de Christopher Nolan, liderando o caminho. Celebrando seu 10º aniversário, o épico de ficção científica foi relançado em locais selecionados com IMAX 70mm, arrecadando US$ 4,4 milhões no primeiro fim de semana de dezembro e elevando seu total doméstico para US$ 192 milhões. O filme alcançou a maior média por sala de qualquer obra em exibição, superando até novos blockbusters como “Moana 2”. Esse sucesso ressalta a tendência crescente de trazer filmes antigos de volta às telonas com experiências de valor agregado, como formatos remasterizados ou exibições exclusivas.

Esse fenômeno, é bom que se diga, não é exclusivo de “Interestelar”. Em 2024, pelo menos 27 filmes legado foram relançados nos cinemas dos EUA, arrecadando coletivamente mais de US$ 90 milhões. Exemplos notáveis incluem “Coraline”, que gerou US$ 33,6 milhões em um formato remasterizado em 3D, e o filme-concerto da banda Talking Heads, “Stop Making Sense”, que superou sua bilheteria original. Estúdios e exibidores estão aproveitando esses relançamentos para preencher lacunas no calendário cinematográfico, ainda em recuperação de atrasos causados pela pandemia e greves. Esses eventos não só atendem à nostalgia, mas também atraem novos públicos, muitos dos quais estão experimentando esses filmes nos cinemas pela primeira vez.

No Brasil, a prática já foi mais popular. Ainda assim, algumas redes de cinema, como Cinemark e Cine Marquise, têm por hábito exibir filmes legado ocasionalmente.

O sucesso desses relançamentos depende da criação de um evento em torno da experiência. Os estúdios utilizam marcos como aniversários ou tecnologias avançadas, como 4DX e IMAX, para atrair o público. As estratégias de marketing frequentemente se estendem às redes sociais e parcerias exclusivas, como as campanhas no TikTok de “Coraline” e o álbum tributo de “Stop Making Sense”. Esses esforços cultivam um senso de comunidade e expectativa, garantindo que o público se sinta parte de um evento cinematográfico único.

Essas circunstâncias demonstram que há um nicho a ser explorado aí. Em um momento de crise no mercado exibidor, com o streaming podando muito da experiência cinematográfica, o que esses bem-sucedidos relançamentos sinalizam é que o público está disposto a ir ao cinema por algo que valha a pena e isso não necessariamente quer dizer que seja um filme novo.

Os relançamentos de filmes de legado estão se mostrando uma estratégia valiosa para engajar o público e impulsionar a receita de bilheteria, oferecendo uma nova perspectiva sobre clássicos amados.

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