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“Industry” se volta para os personagens em temporada de transição

Por Reinaldo Glioche

Foto: Montagem sobre reprodução

Lançada no auge da pandemia, a série britânica da HBO “Industry” surpreendeu público e crítica com uma abordagem elétrica para um grupo de jovens banqueiros tentando se estabelecer no mundo das finanças londrino. Criada por Mickey Down e Konrad Kay, a obra pertence à linhagem de “Wall Street – Poder e Cobiça” (1987) e consegue navegar tanto pelas peculiaridades dos personagens, como pela nevralgia daquele universo.

O 3º ano, encerrado no último domingo (29) registrou a maior audiência da série e ajudou a pavimentar a decisão da HBO de renovar a produção para a 4ª temporada, a despeito da conclusão deste ciclo ter se delineado como um series finale. Para os fãs, ficou claro que os showrunners não estavam contando com um 4º ano.

A 3ª temporada afasta a série de seu modus operandi – inclusive alterando o peso e relevância dos personagens centrais – e a aproxima da lógica narrativa de “Succession”, outro hit da HBO. Um dos principais vértices da temporada é o IPO da Lumi, uma empresa de energia e tecnologia verde liderada por Sir Henry Muck (Kit Harington), que revela um erro de cálculo da Pierpoint, o banco de investimento em que a maioria dos personagens principais trabalha, sobre o potencial do ESG. A partir daí, uma corrida contra o tempo para sanear os problemas de exposição do banco ao setor, bem como para atenuar o alcance de uma possível ação judicial.

Enquanto isso, Harper (Myha’la) encontra uma parceria improvável na gerente de portfólio da FutureDawn, Petra Koenig (Sarah Goldberg) e continua empurrando os limites da ética em uma indisfarçável sanha para vingar-se de antigos colegas na Peirpoint.

A grande protagonista da nova temporada, no entanto, é a Yasmin de Marisa Abela, a personagem mais envolvente, complexa e multifacetada dos dois primeiros anos. Quando a temporada começa, Yas está em frangalhos e ao fim, é senhora de algumas decisões capazes de mudar os rumos de sua trajetória. Ganha especial atenção nesse aspecto suas relações com Harper – há uma cena no sexto episódio de chumbo trocado entre as duas que é de arrepiar – e Robert (Harry Lawtey), que mais do que nunca responde pelo coração da série. É ele o elo humano da audiência naquele vespeiro de ganância e vícios.

Mais atenção aos personagens

Mais do que nos anos anteriores, o cuidado com o estado de espírito e o desenho emocional e psicológico dos personagens está no centro da dramaturgia. Até mesmo personagens secundários como Rishi Randami (Sagar Radia) ganham relevo. Novamente, a Yasmin de Marisa Abela, muito pelos predicados da atriz, é a grande beneficiada dessa estratégia.

Esse movimento deixa claro como “Industry” transcendeu seus objetivos iniciais e virou uma série mais tridimensional. O desafio é recalibrado com a renovação para o 4º ano, que se dá com a estrutura narrativa da série terminantemente diluída pelo desfecho da 3ª temporada.

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