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“Quando Eu Me Encontrar” confia em proposta minimalista para cativar público

Reinaldo Glioche

Foto: Divulgação

Em cartaz nos cinemas brasileiros, “Quando Eu Me Encontrar”, estreia da dupla Amanda Pontes e Michelline Helena na direção de longas-metragens, parte de uma premissa curiosa: Dayane parte, deixando apenas uma carta justificando muito superficialmente sua decisão. Essa protagonista ausente, então, detona o conflito do filme que é como os personagens que gravitam seu universo reagem a essa ausência.

Mais: o que essa ausência deflagra em termos de engenharia interna nessas pessoas. Esses personagens são a mãe, Marluce, vivida pela excelente Luciana Souza, a irmã mais nova, Mariana (Pipa) e o noivo Antônio (David Santos).

A abordagem de Pontes e Helena, que também assinam o roteiro, é delicada e procura no minimalismo seu eixo gravitacional. Marluce, por exemplo, se vê obrigada a refletir sobre sua relação espinhosa com a mãe, enquanto Antônio é atropelado por suas vulnerabilidades.

A ideia de preencher conflitos a partir de uma ausência é dramaturgicamente muito rica e não deixa de ser um olhar sobre o luto, ainda que e maneira subvertida. Algo potencializado por uma curiosa nota de produção como informam as cineastas no material de imprensa: .“No primeiro curta que dirigimos juntas, chamado ‘Do Que Se Faz de Conta’, havia uma personagem chamada Dayane, que aparecia em apenas uma cena e dizia justamente que estava indo embora e iria deixar apenas um bilhete para sua mãe, pois não tinha coragem de se despedir. Esse elemento ficou presente no nosso imaginário e a partir daí começamos a fabular sobre isso num contexto mais amplo, dentro do viés das relações familiares e afetivas, as quais são pautas recorrentes no nosso trabalho”.

Em meio a tantos filmes brasileiros badalados lançados em 2024, essa pequena perola do cinema cearense reluz como uma das experiências mais pujantes de nosso cinema na temporada.

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