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Aerosmith, um dos últimos dinossauros do rock, dá adeus aos palcos

Redação Culturize-se

A banda Aerosmith em ação
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A despedida do Aerosmith dos palcos, anunciada na última sexta-feira (2), marca o fim de uma era para os entusiastas do rock em todo o mundo. Por mais de cinco décadas, a banda personificou o espírito do rock ‘n’ roll com suas performances eletrizantes, hinos icônicos e carisma inabalável. Sua aposentadoria nos convida a refletir sobre sua carreira ilustre, momentos memoráveis, controvérsias e os álbuns que definiram seu legado.

Formada em 1970 em Boston, o Aerosmith rapidamente se tornou uma sensação com seu som de hard rock com influência do blues. A formação da banda—os vocais inconfundíveis de Steven Tyler, os riffs de guitarra ardentes de Joe Perry, o baixo pulsante de Tom Hamilton, a bateria poderosa de Joey Kramer e a guitarra rítmica de Brad Whitford—criou uma sinergia sonora que cativou o público. Seu álbum de estreia homônimo em 1973 apresentou hits como “Dream On”, que permanece um clássico duradouro.

A discografia do Aerosmith é um tesouro de obras-primas do rock. “Toys in the Attic” (1975) e “Rocks” (1976) são álbuns essenciais que cimentaram seu status como lendas do rock. Faixas como “Sweet Emotion”, “Walk This Way” e “Back in the Saddle” mostraram sua habilidade de criar músicas que eram tanto comercialmente bem-sucedidas quanto aclamadas pela crítica. A capacidade da banda de evoluir com os tempos ficou evidente nas décadas de 1980 e 1990, particularmente com o lançamento de “Permanent Vacation” (1987), “Pump” (1989) e “Get a Grip” (1993). Esses álbuns produziram singles que chegaram ao topo das paradas, como “Dude (Looks Like a Lady)”, “Janie’s Got a Gun” e “Crazy”.

As turnês da Aerosmith foram lendárias, caracterizadas por suas performances de alta energia e a presença magnética de palco de Steven Tyler. Seus shows no Brasil foram particularmente memoráveis, com a banda criando um vínculo especial com os fãs brasileiros. Desde sua primeira visita em 1994 até suas performances subsequentes em São Paulo e Rio de Janeiro, principais destinos da banda por aqui. A última passagem pelo País foi em 2017, quando além das citadas cidades, também se apresentou em Belo Horizonte.

Legado abrange polêmicas

A jornada da Aerosmith não foi sem turbulências. A banda enfrentou conflitos internos, problemas de abuso de substâncias e quase separações. O infame apelido “Toxic Twins”, referindo-se ao uso de drogas de Tyler e Perry, encapsulou o caos que ameaçou descarrilar seu sucesso. No entanto, sua resiliência e capacidade de se reinventar foram notáveis. O retorno da banda em meados da década de 1980, impulsionado pela sobriedade e um vigor criativo renovado, revigorou sua carreira e os apresentou a uma nova geração de fãs.

Apesar de sua resiliência, a despedida da Aerosmith deve-se ao impacto nas cordas vocais de Steven Tyler. A banda anunciou em sua conta oficial no X que não voltará a fazer turnês, citando as lesões vocais de Tyler e a incapacidade de se recuperar totalmente. “Sempre quisemos impressionar vocês ao se apresentar,” escreveu a banda. “A voz de Steven é um instrumento como nenhum outro. Ele passou meses trabalhando incansavelmente para recuperar sua voz ao estado anterior à lesão. Infelizmente, está claro que uma recuperação completa de sua lesão vocal não é possível. Tomamos uma decisão dolorosa e difícil, mas necessária — como uma banda de irmãos — de nos retirar dos palcos de turnê.”

Aerosmith
Foto: Divulgação

A turnê Peace Out, planejada como sua turnê de despedida, foi abruptamente adiada em setembro devido aos problemas contínuos de cordas vocais e laringe de Tyler. Apesar dos melhores cuidados médicos, seu médico confirmou que Tyler, “além dos danos às cordas vocais, fraturou a laringe, o que requer cuidados contínuos.”

O legado do Aerosmith está cimentado não apenas por suas realizações musicais, mas também por sua influência duradoura no rock. A banda vendeu mais de 150 milhões de discos em todo o mundo, ganhou inúmeros prêmios e foi introduzida no Hall da Fama do Rock and Roll. Sua música transcendeu gerações, influenciando incontáveis artistas e moldando o som do rock ‘n’ roll.

O grande ressurgimento da banda começou com o álbum “Permanent Vacation” de 1987, seguido por “Pump” em 1989, que produziu três hits no Top 10 pop. Eles conquistaram seus únicos dois álbuns número 1 com “Get a Grip” (1993) e “Nine Lives” (1997), e lideraram a parada de singles da Hot 100 com “I Don’t Want to Miss a Thing” do filme “Armageddon” em 1998. Entre suas faixas mais famosas estão “Dream On,” “Same Old Song and Dance,” a original “Walk This Way,” “Sweet Emotion,” “Back in the Saddle,” “Draw the Line,” “Dude (Looks Like a Lady),” “Angel,” “Rag Doll,” “Love in an Elevator,” “Janie’s Got a Gun,” “Livin’ on the Edge” e “Crazy.”

Enquanto o Aerosmith se aposenta, sua influência no rock é inegável. Suas contribuições para o gênero e sua capacidade de permanecer relevante ao longo das décadas serão lembradas para sempre. Sua despedida marca o fim de um capítulo icônico na história do rock.

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