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A ascensão da ‘quiet ambition’ e seus efeitos no mercado de trabalho

Redação Culturize-se

Meses após o surgimento da polêmica em torno da “demissão silenciosa” ou “quiet quitting”, um novo movimento começa a ganhar força nos bastidores do mundo corporativo: a “quiet ambition” ou ambição silenciosa. Diferentemente da tradução literal, essa tendência não reflete uma falta de ambição, mas sim um crescente desinteresse, especialmente entre os jovens trabalhadores, em assumir cargos de liderança nas organizações.

Liderado pelos millennials e pela geração Z, o fenômeno da quiet ambition representa uma mudança significativa na forma como os profissionais encaram o sucesso profissional. Para esses jovens, a prioridade está no equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, alinhando suas carreiras a propósitos de vida e desfrutando de tempo livre para atividades além do ambiente de trabalho.

O termo ganhou notoriedade em abril deste ano, após sua introdução em uma reportagem da revista Fortune. Originado no contexto do quiet quitting, onde funcionários insatisfeitos diminuem sua produtividade, a quiet ambition reflete uma reavaliação pós-pandemia sobre o significado de assumir grandes responsabilidades em troca de remunerações mais altas.

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Foto: Pixabay

Nova visão de carreira

De acordo com um relatório da plataforma canadense Visier, a maioria dos profissionais norte-americanos entrevistados prefere funções técnicas a cargos de gestão, indicando uma mudança nas prioridades de carreira. A busca por equilíbrio entre vida profissional e pessoal é destacada como a principal motivação, enquanto apenas 4% veem a promoção ao alto escalão como objetivo relevante.

As ambições dos profissionais entrevistados incluem passar tempo com a família e amigos, cuidar da saúde física e mental, e viajar, enquanto cargos de liderança ocupam uma posição secundária. A resistência a assumir responsabilidades associadas à liderança, como estresse e carga horária extensa, é apontada por 91% como motivo para evitar tais posições.

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A adesão à quiet ambition é particularmente expressiva na geração Z, que prioriza a qualidade de vida e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Pesquisas recentes indicam que, para esses jovens, a carreira não é mais vista como uma fonte exclusiva de renda, mas como uma parte integrante da vida a ser desfrutada no presente.

Entretanto, especialistas alertam que essa mudança de paradigma pode representar um risco para as empresas, pois a falta de interesse em cargos de liderança pode comprometer a sucessão e a capacidade das organizações de inspirar e conduzir equipes.

A quiet ambition, longe de ser uma falta de ambição, representa uma busca por equilíbrio na vida profissional, uma resposta às mudanças no mercado de trabalho que oferece mais flexibilidade e possibilidades. O silêncio desses profissionais não implica em desinteresse, mas sim em uma abordagem diferente para atingir objetivos de carreira de maneira saudável e equilibrada. A ver onde a tendência vai dar.

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