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Conflito no Oriente Médio provoca cisão em Hollywood

Reinaldo Glioche

Conforme se prolonga o conflito entre Israel e Hamas no Oriente Médio, dando contorno ainda mais dramáticos e trágicos para uma questão geopolítica secular, Hollywood se flagra vivendo uma crise que se estende desde um código de conduta em um negócio majoritariamente judeu (as grandes forças de Hollywood são judias) até o receio de uma nova caça as bruxas como o macarthismo.

Melissa Barrera
A atriz Melissa Barrera foi demitida de “Pânico 7” | Foto: Reprodução/Instagram

Nesta semana a atriz mexicana Melissa Barrera foi demitida de “Pânico 7” por fazer postagens críticas à linha adotada por Israel na esteira dos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro. Barrera criticou o “genocídio palestino”. A Spyglass, produtora responsável pela franquia de horror, enviou nota à imprensa justificando a demissão pelo fato de “ter zero tolerância com o antissemitismo e a incitação ao ódio”.

Para além da interpretação alargada do conceito de ‘antissemitismo’, algo já em voga com o termo ‘fascismo’, de fato, um posicionamento em “prol daqueles que não têm voz”, como classificou Barrera em seu Instagram após a notícia de sua demissão ganhar o mundo, parece pouco para uma atitude tão fatalista como uma demissão. É um termômetro, porém, do estado das coisas em Hollywood. A agência que representava os interesses de Susan Sarandon rompeu com a atriz por conta dos posicionamentos dela em relação a Israel. Tom Cruise precisou intervir para que sua agente não fosse demitida da empresa em que trabalha.

À medida que as críticas à postura de Israel em Gaza se avolumam na opinião pública global é compreensível que judeus no mundo todo, mas especialmente em Hollywood, onde eles detém o poder, fiquem na defensiva. Ademais, há de se ponderar que em qualquer negócio, falar mal do patrão não é uma boa estratégia. São elementos que ajudam a dar a correta dimensão aos casos. Embora convenha ter atenção à escalada dos fatos – e eles devem escalar, já que não há indícios de breve resolução no conflito – é precipitado avocar o macarthismo como parâmetro.

O controle da narrativa é algo precioso em qualquer contexto e, neste momento, o alinhamento cego de Hollywood a Israel pode prejudicar justamente esse controle. A tendência é de escrutínio e rejeição ao comportamento que emana de Hollywood, principalmente pelo fato de ser uma indústria que se posiciona à favor da liberdade de expressão e causas progressistas.

Não é segredo que a hipocrisia reina em Hollywood e há ótimos filmes – feitos em Hollywood – que tratam disso. O episódio, porém, é mais um a ilustrar esse fato. Embora seja apenas isso. Um episódio de hipocrisia. Ao menos por enquanto.

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