Edson Aran
Existiu um tempo em que cool era ser cool.
Foi um momento histórico menos histérico quando as pessoas não saíam por aí berrando, uivando e gritando.

E julgando, condenando e cancelando.
E marchando, golpeando e roubando.
E tuitando, instragramando e tik-tokando.
Todos nós precisamos esfriar a cabeça, ficar cool, mas pra isso é preciso sacar o conceito, compreendes?
Vamos lá.
Cool é uma espécie de nonchalance, um je-ne-sais-quoi meio blasé, que é quase tô-nem-aí. É isso aí.
Tranquilo e infalível como Bruce Lee. Desencanada e impassível como Rita Lee. Preciso e inflexível como Angeli.
Quem é cool não se importa se escreve metade de uma frase em outra língua, lista nomes sem explicar o porquê e se liga mais na cadência do que na coerência. Sem sofrência, mas com certa demência, essa é a ciência.
Cool é João Gilberto, Frank Sinatra, Dean Martin, Marvin Gaye, Thelonious Monk, Tim Maia, Cassiano, a Lua e Eu, entendeu? Nem eu.
Cool é uma soma de estilo e atitude que não se esforça para agradar e que, exatamente por causa disso, é invejado e imitado.
Keanu Reeves é cool até de cabelo sujo e terno preto, mas Ezra Miller não consegue chegar perto nem vestido de vermelho. Michael Keaton: cool. Ben Affleck: uncool. E não há J.Lo que dê jeito, sorry to say. Jennifer Lopez é tão hot que ficou cool. Lady Gaga, super cool de tão hot. Beyoncè era hot, se esforçou tanto pra ser cool que acabou uncool. Anitta é cool, embora super hot.
Afinal, para exibir uma atitude fria e indiferente é essencial ser quente e irreverente. A deliciosa Jane Birkin, que nos deixou mês passado, era extremamente cool porque era quente e nem ligava.
Mas hoje em dia, o mundo inteiro está em ebulição. A Europa pega fogo e o Havaí está em chamas, enquanto aqui a temperatura sobe com futricas e mutretas. Esse, querida leitora, é o inverno, o outono, a primavera e o verão do nosso descontentamento. Tudo ardendo e fervendo.
E é por essas e outras que é preciso manter a cuca fresca. Fica a dica: quem é cool tem medo.