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Com TUDUM, Netflix desidrata CCXP e fortalece nova tendência para estúdios e streamings

Reinaldo Glioche

Feiras de cultura pop não são exatamente uma novidade – nos EUA elas se proliferam desde meados da década de 90 -, mas no Brasil são uma tendência relativamente nova. Ganharam tração com a CCXP, realizada pela 1ª vez em 2014, que colocou o país no radar de estúdios de cinema e plataformas de streaming em uma escala jamais vista e sem precedentes fora dos EUA.

Em janeiro de 2020, ciente do potencial de feiras para os fãs brasileiros , a Netflix – que desde o primeiro momento acreditou muito na CCXP e sempre trouxe talentos de primeiro escalão para o evento – resolveu criar seu próprio festival. O TUDUM nasceu com DNA brasileiro e, com o advento da pandemia, tornou-se global via internet.

No último fim de semana, o TUDUM voltou a ser presencial e voltou a São Paulo. Foram três dias de evento para fãs, com ingressos gratuitos e uma live global no sábado (17) em que o streaming apresentou diversas novidades – de vídeos de bastidores a trailers de futuros lançamentos – para o mundo a partir do Brasil.

O evento contou com celebridades brasileiras e internacionais do porte de Gal Gadot, Arnold Schwarzenegger, Chris Hemsworth, Maisa, Zach Snyder, Jamie Dornan, entre outros e o espaço de 3.500m² do Pavilhão da Bienal do Ibirapuera ostentou mais de 20 ativações para os fãs curtirem e instagramar suas produções favoritas da plataforma.

Tudum x CCXP

A pandemia fez com que a CCXP também aderisse a versão online, mas no retorno ao presencial, em dezembro do ano passado, embora a Netflix tenha permanecido como um player importante, não houve por parte da empresa o empenho em trazer seu A game, o que tangencia uma mudança de estratégia. Embora entenda ser importante manter-se em evidência em outras feiras, a Netflix percebe que faz mais sentido concentrar seus principais tesouros em sua própria feira. A Disney já faz algo semelhante, mas apenas no mercado dos EUA, com a D23 e a Star Wars Celebration.

A movimentação da Netflix se diferencia, no entanto, por mirar o mercado global, pelo caráter gratuito do evento, e por se inserir em um momento de muita hesitação a respeito dos rumos do streaming. É, neste sentido, uma capitania para toda uma indústria que já viu a empresa mudar paradigmas antes.

O que vem por aí

A Paramount, que tem investido pesadamente para popularizar seu streaming fora dos EUA, vai realizar em julho a Vidcon, uma feira própria mais voltada para a cultura pop nacional, mas que tem como finalidade fortalecer a marca – e o Paramount+ – regionalmente.

O Globoplay já promoveu instalações em shoppings centers em São Paulo e Rio de Janeiro com ativações de programas como o BBB e de algumas séries originais, mas algo muito discreto em escala e proporção na comparação com o TUDUM. Mas a sementinha está plantada. A Netflix, na liderança do mercado global de streaming e que, nesta condição, propõe mudanças canônicas como a cobrança por compartilhamento de senha e planos mais acessíveis com o suporte publicitário, promete reorganizar estratégias de comunicação vigentes no mundo do entretenimento.

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