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O guia esnobe da arte moderna

Edson Aran

Vivemos num mundo pós-moderno e desconstruído, então não se reprima: tudo o que você gosta é arte e tudo o que você não gosta é outra coisa.

Essa é a lição número um.

No entanto, para melhor entender esse furdunço, comecemos pelo começo: a Arte Moderna já não é moderna faz um tempão. Ela nasceu no século 19 e morreu de velhice no meio do século 20, coitada.

O que se faz atualmente é Arte Contemporânea, que é cheia de temas importantes, mas tem a relevância estética de um reality show. A Arte Contemporânea é exposta de dois em dois anos na Bienal de São Paulo e tem sempre um monte de cartolinas com palavras de ordem. Você esquece de tudo assim que sai do prédio e percebe a garota de shortinho patinando no Ibirapuera. Isso sim é uma obra irretocável, você pensa.

A Arte Moderna é muito mais bacana. O problema é que ela tem mais escolas do que o Sambódromo: Impressionismo, Expressionismo, Futurismo, Dadaísmo, Surrealismo, Expressionismo Abstrato, Pop Art … E isso é só o Grupo Especial, nem vamos falar do Grupo de Acesso.

E, para complicar, tem uns caras, tipo o Pablo Picasso, que desfilam ao mesmo tempo em várias escolas.

“E aí, Picasso, muita emoção?”

“Sim, aqui é samba e tradição! Vou sair no Expressionismo, no Cubismo e no Surrealismo, urrú! É hoje o dia, da alegriaaaa…”

Mas um esnobe autêntico nunca se intimida e discorre com absoluta superficialidade sobre cada escola, mesmo sem nunca ter pisado na comunidade. Aprenda.

O Impressionismo quer “imprimir” o quotidiano da Belle Époque nas telas, enquanto o Expressionismo só quer chatear o Impressionismo com cores primárias e camadas mais grossas de tinta.

O Futurismo curte máquina, movimento e gente marchando em passo de ganso. Já o Dadaísmo é o cara que fica no fundão, sacaneando a escola inteira.

Surrealismo é assim: o sujeito começou a fazer análise e o terapeuta pediu pra ele registrar todos os sonhos que tiver, por mais esquisitos que sejam.

E a Pop Art é a Natureza Morta da Era Industrial. Em vez de pintar tomate e pato morto, o artista pinta sopa de tomate e o Pato Donald, sacou?

Já o Expressionismo Abstrato é completamente diferente do Expressionismo raiz. Imagine o Michelangelo pintando o teto da Capela Sistina. Imaginou? Bem, isso se chama Renascentismo. Já os respingos de tinta que caem no chão… isso é o Expressionismo Abstrato, entendeu?

Voltaremos ao tema qualquer hora para falar de Barroco, Rococó e algum outro forrobodó.

(Título da Ilustração: “O Suicídio do Expressionista Abstrato”)

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