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A celeuma em torno da comédia romântica de U$ 150 milhões

Reinaldo Glioche

Você leu certo: uma comédia romântica de U$ 150 milhões. O inchaço orçamentários das grandes produções de Hollywood pode ter chegado a esse ponto. Frisemos o “pode”, porque embora haja muito estardalhaço em torno do primeiro filme da cineasta Nancy Meyers (“Simplesmente Complicado”, “Alguém tem que Ceder”, entre outros) em dez anos, pouco se sabe de fato do que está rolando na tumultuada pré-produção do longa-metragem.

Nancy Meyers é das diretoras comercialmente mais bem-sucedidas de Hollywood e em sua longeva carreira, ela também é roteirista e produtora, se viu responsável por alguns dos maiores sucessos dessa deliciosa convenção que é a comédia romântica. Com o o caso do gênero nos idos da década passada, se viu mais distante. O único filme que dirigiu na década de 2010 foi “Um Senhor Estagiário”, uma comédia sobre etarismo com Robert De Niro.

Nos últimos anos, no entanto, a comédia romântica tem vivido uma renascença, muito em virtude da Netflix, que abrigou o gênero com gosto. Nada mais natural que Meyers e Netflix se unissem para lançar um titã capaz de mostrar que a revitalização do gênero já está consumada.

Nancy Meyers, em pé, no set de “Simplesmente Complicado” | Foto: divulgação

“Paris Paramount”, no entanto, ganhou destaque nas rodas de cinefilia nos últimos dias devido a seu cancelamento pela Netflix. Segundo comunicado da empresa, não havia disposição de ampliar o já robusto orçamento de U$ 130 milhões para U$ 150 milhões, como pleitearia a cineasta. O longa que já estava em pré-produção teria Michael Fassbender, Scarlett Jonhansson, Owen Wilson e Penelope Cruz no elenco.

Meyers não comentou à imprensa sobre o entrevero, mas em publicações no Instagram deu a entender que o cancelamento não foi necessariamente por razões orçamentárias.

De fato um orçamento tão inflado chama a atenção, a despeito dos cachês dos astros envolvidos e das locações suntuosas que costumam fazer parte dos longas das diretoras.

Os filmes de Meyers costumam fazer em média cerca de U$ 500 milhões nas bilheterias e custam entre U$ 80 e 100 milhões. O x da questão é que a Netflix vive um momento de desinvestimento de “filmes feitos para cinema, mas lançados no streaming” e isso talvez explique as ressalvas em relação ao projeto. No modelo de negócio da Netflix, pode-se obter número de horas assistidas com uma comédia romântica muito mais barata.

Já um filme de Meyers no cinema é outra história, como mostram os indicadores de arrecadação de suas produções prévias. Justamente por isso, Warner e diretora negociam e exploram condições para desencadear o projeto. A Warner já produziu alguns dos filmes da cineasta, o que facilita esse novo namoro.

Imperioso registrar, no entanto, que a comédia romântica tem mostrado força no streaming e não necessariamente no cinema, a despeito da bem-aventurada experiência da Universal no ano passado com “Ingresso para o Paraíso”, um veículo para a química de George Clooney e Julia Roberts. O sucesso do longa mostrou que o público sente falta dessa opção de filme nos cinemas.

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