Ambição e inadequação marcam o 1º sábado de Veneza 2023

Por Mariane Morisawa | Fotos: Divulgação

Depois de estrear na direção com "Nasce uma Estrela", Bradley Cooper faz outro filme sobre um músico, desta vez um personagem real, o maestro e compositor Leonard Bernstein. Em "Maestro", o ator, diretor, produtor e coroteirista tenta escapar um pouco do formato tradicional da cinebiografia focando no relacionamento de Bernstein com sua mulher, a atriz Felicia Montealegre (Carey Mulligan). O diretor vai melhor nas cenas grandiosas dos sucessos de Bernstein e pior naquelas de intimidade.

Stefano Sollima, de "Suburra" (2015), "Gomorrah" (2014-2016) e "ZeroZeroZero" (2019), é um especialista em filmes e séries sobre máfia. Em "Adagio", a velha guarda da Banda della Magliana, a máfia do Lazio, está se aposentando. Cammello (Pierfrancesco Favino) saiu da prisão por estar doente. Daytona (Toni Servillo) está com demência. Seu filho, Manuel (Gianmarco Franchini), envolve-se em uma confusão com um policial (Adriano Giannini). "Adagio" tem um elencão italiano e alguns bons momentos que fazem o filme passar fácil.

É difícil de entender por que Roman Polanski quis fazer "The Palace", exibido fora de competição. É uma comédia sobre os absurdos que os ricos fazem, no estilo "The White Lotus" e "Triângulo da Tristeza", só que sem a mesma acidez e desenvolvimento da primeira ou a ousadia do segundo, para o bem e para o mal. É um filme cheio de obviedades e sem nenhuma graça passado em um hotel de luxo na virada de 1999 para 2000.

"Aggro Dr1ft", de Harmony Korine, foi sem dúvida a sessão mais difícil do festival até agora. Exibido fora de competição, foi todo feito com câmeras infravermelho. O longa quase ensurdeceu metade da plateia com música constante e alta. Mas o pior mesmo são os diálogos – ou melhor, as falas declamadas para a câmera no estilo “Eu sou o maior assassino do mundo” e “Deus é amor, amor é Deus”, sem contar o retrato limitante das mulheres.