Cinema

February 14, 2020

"A Morte do Demônio: A Ascensão" não honra legado da franquia

Por Reinaldo Glioche

Fotos: Divulgação

A série trash que ajudou a consolidar o terrir nos anos 80 ganhou uma nova versão em 2013 pelas mãos do uruguaio Fede Alvarez. Dez anos depois, uma nova versão, agora com Lee Cronin no comando, tenta dialogar com um público ar cuja principal referência de entretenimento e narrativa é o TikTok. A missão, obviamente, é inglória.

Se maquiagem e design de produção são realmente vistosos, o mesmo não se pode dizer de outros dois elementos cruciais para a consolidação de um bom longa-metragem: roteiro e atuações. O elenco é dolorosamente sofrível e o fato do texto ser capenga, mau escrito e ofertar conflitos rasos e soluções ainda mais estapafúrdias, não ajuda.  O ritmo truncado do início, até melhora, mas Cronin parece ter uma concepção de terror resumida a jump scaries, sonoplastia e certa pretensão de gore.

Nem os esparsos easter eggs para fãs hardcore da série minimizam a furada. A se pontuar positivamente, a curta duração e a opção de trancafiar uma família e um demônio, encarnado na mãe, em um prédio degradado. A atmosfera é ótima, a execução é que fica devendo.

Cronin até tenta barganhar com sua audiência com crianças sendo possuídas, mas só entrega uma experiência enfadonha para quem quer que tenha algum repertório no gênero. É melhor rever o ótimo "Sorria", lançado em 2022, disponível no streaming, e muito mais impactante.